A relação da música e programação

Patrick Augusto
5 min readFeb 11, 2022

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Nada como um papo interessante em uma sexta-feira interessante.

Há tempos eu penso nesse assunto, qual a relação que podemos tirar entre a música e a programação?

Se você leu em meu primeiro post, ou até a descrição do Medium, já sabe que eu sou músico. Há cerca de 7 anos sou saxofonista, mas iniciei com guitarra há 10 anos. Então a música está presente e é muito importante, assim como a programação começou a ser pra mim.

Padrões

Essa relação vem principalmente do fato da partitura ser algo matemático, padronizado, e ao mesmo tempo, uma arte.

Na música, você tem linhas de notas que se juntam para formar uma melodia, uma harmonia ou um ritmo. Na programação, você tem palavras-chave e algoritmos que trabalham juntos para fazer um programa completo, como uma harmonia.

Assim como existem regras quando você está escrevendo em qualquer linguagem, existem regras sobre quais tipos de harmonias devem ser usadas e quais acordes podem seguir um ao outro. A teoria musical, como é chamada, pode se tornar altamente técnica, sem deixar de manter um nível de criatividade necessário para criar obras únicas na hora de compor.

A programação, por outro lado, também precisa de criatividade. Não existe uma solução para todos os problemas. Então, precisamos de criatividade na hora de resolver qualquer assunto na programação.

Em ambos, o pensamento crítico desempenha um grande papel nisso.

Dopamina

Dando uma pesquisadinha rápida no Google, temos a explicação correta do que é a dopamina.

A dopamina é um neurotransmissor que atua de diferentes formas no sistema nervoso, estando relacionada, por exemplo, com o humor e o prazer.

Em vários âmbitos da vida, podemos ter essa sensação de recompensa causada pela dopamina.

Se você é programador, com certeza já sentiu essa sensação. Quando se resolve um problema, constrói um código/projeto bem feito, ou até ver um código e entendê-lo . Nada melhor que sentir essa sensação ao resolver uma tarefa.

Na música, essa sensação acontece da mesma forma, ao menos comigo. Ao ouvir uma música favorita, ao conseguir tocar uma música difícil. Particularmente, sinto isso quando ouço uma música bem tocada, bem construída, complexa e criativa.
Quando consigo entender um problema e o que está acontecendo, é a mesma coisa. Uma alegria, felicidade e melhora meu dia. Essa “droga” viciante do nosso próprio corpo, devemos saber como usar, como uma gasolina diária.

Matemática

Quando falo de matemática, não falo de operações complexas ou coisas assim, até por que na programação (não necessariamente) precisamos saber assuntos complexos de matemática, outra hora podemos discutir sobre isso.

Falo de como tudo é construído. Os números estão em tudo, no universo, na matemática, na música, na programação, na vida!

Uma partitura, é repleta de números nas entrelinhas. Uma nota, representa X tempo da música, nem mais, nem menos. É algo exato e descrito ali, na frente do músico.

Um código, tem a mesma representação. Não necessariamente temos números explícitos, mas existem padrões, regras a serem seguidas. Um código com indentação de 4 espaços. Um looping que não pode passar de 100.

Funções

E a mais maravilhosa comparação (particularmente), é o reaproveitamento!

Assim como funções na programação, em uma partitura temos formas de reutilizar um compasso que já foi escrito, pra não deixar uma partitura com 20 páginas e resumir ela em 2 páginas. Isso é lindo! Uma partitura bem escrita é tão lindo quanto um código bem escrito.

Fazendo uma curva no assunto: A tecnologia irá “engolir” os músicos?

Acredito que não podemos falar sobre tecnologia e música, sem falar no medo que muitos músicos tem, de perder seu lugar para um robô.

Estudando um pouco sobre o assunto, encontrei um artigo bem interessante sobre isso, depois se quiser dá uma lida, clica aqui.

Um dos parágrafos diz o seguinte:

Certamente seria um erro descartar o enorme potencial dos programas de computador na produção musical simplesmente por causa da “tecnofobia” ou de uma suposição geral de que uma máquina não pode executar tarefas musicais. São pensamentos obsoletos, refutados pelos fatos. O romantismo persistente no pensamento sobre os empreendimentos artísticos torna inaceitável acreditar que uma obra de arte rica em significado pode ser reduzida a uma série de respostas “sim/não”, “liga/desliga”, “0/1”. No entanto, já ficamos impressionados com o número de atividades complexas que podem de fato ser expressas assim. O quarteto de cordas de Beethoven vindo do seu CD player é apenas um monte de 0’s e 1's.

Recomendo a leitura do texto completo!

Pensando sobre isso, realmente é possível a tecnologia acabar com os músicos?

Em muitas áreas isso já aconteceu, em que pessoas foram demitidas/substituídas por tecnologias.

Atualmente já existem vários tipos de tecnologias relacionadas à música, até existem programas que fazem músicas. Esse link é de uma música feita por uma IA, a voz é de um humano, é claro. Skygge que nada mais é do que um “grupo” formado pelo francês Benoit Carré e um programa de inteligência artificial desenvolvido pela Sony, o Flow-Machines. Os vocais são da cantora canadense Kiesza (do hit “Hideaway”, de 2014), mas: “Hello shadow” foi totalmente composta com inteligência artificial.

Obs: outras músicas se você quiser ouvir:

“Daddy’s Car” também foi composta por IA, com a mesma tecnologia usada nas músicas do Skygge.

As letras e os vocais são de seres humanos, mas o arranjo foi criado por inteligência artificial, assim como toda a produção e a performance dos instrumentos.

Particularmente, acredito que músicos humanos, e músicos robôs podem trabalhar juntos em todo o processo. Sem um excluir o outro, assim como ocorre nas músicas que enviei acima.

Mesmo assim, há o medo. Afinal, uma inteligência artificial pode sentir o que o músico sente em uma composição? Ou sentir algo ao ouvir uma música? Existe dopamina numa IA?

São muitos questionamentos, alguns válidos, outros talvez maluquices. Mas, independente do que irá acontecer, eu quero estar bem vivo (até por que já está acontecendo) e participando dessa evolução, juntando os dois mundos que eu amo tanto, a música e a tecnologia.

Finalizando

A maioria das coisas que falei acima, a fonte é minha cabeça e algumas coisas que achei no Google. Se tiver algo incoerente (o que tem bastante chance), ou queira sugerir uma alteração, qualquer coisa. Comenta aí, ou se quiser manda uma DM no twitter pra gente conversar.

Esse assunto me deixa animado, talvez eu traga mais coisas sobre música e tecnologia.

Até a próxima!

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Patrick Augusto

Sou programador e músico, aqui quero compartilhar pensamentos, ideias, e principalmente anotações de estudos. Pra me ajudar, e quem sabe, ajudar alguém!